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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (10) que o Brasil tentará negociar com os Estados Unidos a revogação da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo presidente Donald Trump. No entanto, caso não haja acordo, o governo brasileiro adotará a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso neste ano.
Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, Lula disse que o argumento de Trump — de que há prejuízo comercial dos EUA na relação com o Brasil — não tem base nos dados oficiais. “O presidente Trump deve estar muito mal informado. Nos últimos 15 anos, o déficit comercial é de R$ 410 bilhões... mas para o Brasil”, afirmou.
Lula criticou o formato do anúncio da tarifa, feito em carta publicada na rede social de Trump, com menções ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF. “É inaceitável que ele fale em ‘caça às bruxas’. Isso é um desrespeito ao nosso Judiciário. Aqui, a Justiça é independente”, declarou.
O presidente informou que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) e buscará apoio de outros países para debater a legalidade da medida. Caso não haja solução diplomática, a retaliação comercial passa a valer a partir de 1º de agosto.
Lula também anunciou que convocará empresários exportadores para avaliar os impactos da medida e alternativas de mercado. “O Brasil prefere negociar, mas não aceitará ser tratado com desdém. Queremos respeito”, disse. Entre os setores mais afetados, citou aço, suco de laranja e a Embraer.
Questionado sobre a visita à ex-presidente argentina Cristina Kirchner, Lula afirmou que foi um ato autorizado pela Justiça local e não interferiu em processos legais. “Não me meto em decisões da Justiça americana. Esperamos o mesmo em relação ao Brasil.”
Sobre o julgamento de Bolsonaro no STF, Lula foi direto: “Se for inocente, será absolvido. Se culpado, será condenado. É assim que funciona a Justiça.”



