Foto: Jim Watson/AFP
Na primeira reunião entre ministros, empresários e representantes da indústria e do agronegócio para discutir os efeitos da tarifa de 50% anunciada por Donald Trump sobre produtos brasileiros, o consenso foi claro: negociar. O setor produtivo pediu ao governo que esgote todas as possibilidades diplomáticas com os Estados Unidos antes de cogitar qualquer retaliação.
A mesma posição foi expressa pela Câmara de Comércio dos EUA e pela Amcham Brasil, que divulgaram nota conjunta defendendo “negociações de alto nível” para evitar danos à relação econômica bilateral. As entidades alertam que a sobretaxa, motivada por tensões políticas, pode afetar mais de 6.500 pequenas empresas americanas que dependem de insumos do Brasil e 3.900 companhias norte-americanas que investem no País.
Questionado sobre o motivo da nova alíquota, Trump respondeu: “Fiz porque posso. Ninguém mais conseguiria”.
No Brasil, o encontro ocorreu em Brasília, com a presença do vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, além dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil), Simone Tebet (Planejamento) e Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos). Representantes de 37 setores industriais e 19 do agronegócio participaram.
O governo reiterou que vai buscar uma solução antes de 1º de agosto, data prevista para o início da tarifa. Empresários saíram do encontro aliviados com o compromisso de que não será usado o termo “retaliação” antes desse prazo, para não prejudicar a diplomacia.
A indústria ressaltou que não há mercado alternativo viável para substituir os EUA no curto prazo. Uma das propostas levadas ao governo é negociar acordos bilaterais em áreas como etanol e bitributação.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por sua vez, sugeriu o adiamento por 90 dias da entrada em vigor da tarifa, caso um acordo não seja possível até o fim do mês. Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, a medida pode resultar na perda de até 110 mil empregos.
“O Brasil não pretende agir de forma intempestiva”, afirmou Alban. “Estamos falando de um cenário de perde-perde. O prejuízo é para todos os lados.”
Alckmin confirmou que o objetivo do governo é resolver o impasse o quanto antes. A estratégia inclui o envio de nova carta ao governo dos EUA e mobilização de empresas brasileiras para pressionar seus parceiros comerciais americanos.
“A ideia não é pedir prorrogação de prazo, mas resolver a questão até o dia 31. Vamos trabalhar para isso”, disse o vice-presidente.



