Foto: Adriano Abreu
Um relatório da direção da Penitenciária Estadual de Alcaçuz aponta que presos que trabalham na unidade, chamados de “presos pagadores”, têm recebido chaves de celas para trancar outros internos por causa da falta de policiais penais. O documento, referente a agosto, também registra postos de vigilância desativados, falhas no videomonitoramento e indícios de tentativas de fuga.
A direção classifica a entrega das chaves como “alarmante” e afirma que a prática representa uma “transferência indevida do poder de polícia”. Em um dos setores, o relatório registrou a proporção de um policial penal para 315 presos. A administração aponta a recomposição do efetivo como prioridade para impedir que internos tenham acesso às chaves.
O documento também relata que dezenas de câmeras ficaram sujas, sem foco ou desligadas durante dias e que rondas externas deixaram de ser realizadas na maior parte dos dias. Cerca de 90 presos saem diariamente dos pavilhões para trabalhar nas oficinas, situação que, segundo o relatório, representa “alto risco de fuga”.
Desde maio, 17 presos conseguiram fugir de unidades do Complexo de Alcaçuz. Em setembro, a Polícia Penal também impediu uma tentativa de fuga de 14 internos no Rogério Coutinho Madruga. A Secretaria da Administração Penitenciária afirmou que Alcaçuz “se mantém sob controle, com segurança e disciplina” e informou que uma revista realizada na unidade nesta semana não encontrou celulares ou outros aparelhos de comunicação.



